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VI Teatro de Rua da Cercimarante
2010/07/16
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Teve lugar no passado dia 7 do corrente, no Largo de S. Gonçalo e integrado no programa cultural do nosso município, para assinalar os 30 anos da Cercimarante, o Teatro de Rua a cargo dos utentes e monitores desta instituição.
O Teatro de Rua da Cercimarante representa uma esperança que reclama uma luta contra a inércia, desassossegar consciências para quem rejeita compreender o trabalho árduo e diário de quantos trabalham naquela cooperativa na reabilitação de crianças inadaptadas.
A sensibilidade para quem conhece tantos factos da vida que todos os dias são recolhidos, dá-nos a percepção que as histórias, o drama, as barreiras arquitectónicas, a indiferença que vimos representadas e que recolhemos na nossa memória, só nos pode tornar mais solidários e interessar-nos por todos os mais desfavorecidos.
Não escondemos a nossa admiração para quem traz para a cena com aquela realidade de representação um retrato bem colorido, como se fosse o segredo de uma esperança apontado a uma sociedade que ainda rejeita, não integra até para as mais simples tarefas, fechando todas as portas numa medida igual à inércia que nada produz mas talvez inquiete. Digo talvez, pois também acredito que mais dia menos dia, a solidariedade há-de corresponder ao desejo realizável dos mais desfavorecidos. Condicionar à partida a capacidade de empenhamento dos jovens até pela aparência física ou menos desenvolvimento intelectual, sem estimular iniciativas que conduzam a acções que consigam articular esforços é reduzir as expectativas que valorizem e abram horizontes que possam assegurar alguma autonomia a quem também sente que pode ser útil à sociedade.
Nada adiante comemorar este ou aquele dia internacional para a inclusão se não se conseguir alterar as condutas sociais que desvalorizam e desconhecem um trabalho local que prestigia a Cercimarante.
É pois este apelo veemente que evoluiu sem qualquer desalento nas várias representações dos utentes da Cercimarante, que pedem um comprometimento social que tantas vezes se acomoda aos tempos mais complicados e adversos, mas que ninguém fique indiferente e olhe para o lado, sem distanciamentos e com vontade de ajudar a construir uma sociedade em que no sucesso caiba também aqueles que tantas vezes são permanentemente marginalizados.
É que o som e a harmonia, ser poeta sem rimar, mais as deliciosas emoções até a imaginação (todas as roupas e calçado para o espectáculo foram trabalhadas na Cercimarante), que maior eloquência do realismo estético da arte de representar, que coloca os utentes perante a diferença daqueles que transportam para lá do artificialismo decalcado dos que procuram representar caricaturalmente a actualidade, ignorando o que se passa à sua volta.
Os actores da Cercimarante partem para a descoberta com o horizonte limitado, é certo, mas com a emoção de sentirem a luz, os espectadores e os aplausos, numa festa de muito trabalho, muita repetição e muita dedicação dos monitores.
Esta beleza, para quem é capaz de a entender para lá dos contos de fadas, é como um pedido diário com o dedo apontado a um injusto esquecimento. O empenhamento diário tão original, até performativo, como que criando uma obra significa uma nova coragem para uma existência que merece uma reflexão de quem não pode esquecer uma vida cuja realidade é tantas vezes bem crítica.
Desafio todos os que podem, que deixem passar o limiar das suas portas a alguns dos utentes da Cercimarante, e cedo perceberão as qualidades de trabalho, paciência e até a alegria daqueles que à sua maneira também querem triunfar.
Fica o agradecimento a um fantástico grupo de jovens de vários países que solidariamente participaram nos vários trabalhos para a montagem do teatro, colocação de cartazes, distribuição de publicidade, execução dos vários cenários, todos enquadrados pela Pousada da Juventude e empenhamento do Eng.º Miguel e do Fredo.
Este espectáculo serviu também para assinalar os trinta anos da Cercimarante cujas comemorações irão decorrer durante este ano, com várias actividades e que a seu tempo serão dadas a conhecer.
Antes do espectáculo ouvimos ainda os depoimentos alusivos aos trinta anos da Cercimarante do Sr. Presidente da Câmara, do Sr. Presidente da Assembleia Municipal, da Associação Empresarial de Amarante, da Sra. Directora do Centro de Emprego, da Sra. Representante da Segurança Social, o testemunho comovente de uma mãe voluntária, também da Sra. Dona Amélia, fundadora da Cercimarante, do Sr. Presidente da Mesa da Assembleia Geral desta Cooperativa e do Presidente, António Pinto Monteiro.
Apagaram-se as luzes. Fica-nos a nostalgia e a distância até ao próximo ano.
Hernâni Carneiro

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