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Centro de Actividades Ocupacionais
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O desenvolvimento das políticas de reabilitação e integração social das pessoas com deficiência exige, cada vez mais, dada a diversidade das situações, a definição de princípios orientadores das diferentes formas de intervenção social a garantir. Nem sempre a profundidade ou extensão das limitações físicas ou mentais apresentadas pelas pessoas com deficiência grave permitem a sua integração sócio-profisional nos quadros normais de trabalho ou em centros de emprego protegido após o período adequado de educação especial ou de reabilitação profissional.
No entanto, muitas dessas pessoas com deficiência grave são susceptíveis de uma certa integração social activa, mediante o desenvolvimento de actividades ocupacionais tendentes, fundamentalmente, a assegurar condições de equilíbrio físico e psicológico, sem vinculação às exigências de rendimento profissional ou de enquadramento normativo de natureza jurídico-laboral.
As actividades ocupacionais têm, assim, como finalidade proporcionar às pessoas com deficiência actividades socialmente úteis, de forma a permitir-lhes uma valorização pessoal e o aproveitamento das suas capacidades remanescentes, quer na perspectiva de uma eventual integração, se possível, no regime do emprego protegido, quer na perspectiva de manter os deficientes simplesmente activos e interessados. Estas formas de apoio visam, por outro lado, a valorização pessoal das pessoas com deficiência e a sua integração na comunidade, o que se traduz também na ajuda às respectivas famílias.
Na Cercimarante, o primeiro Centro de Actividades Ocupacionais (CAO) surge em 1995, para dar resposta a uma população que por ter ultrapassado o limite de idade para frequentar o Centro Pedagógico e, por não possuírem capacidades e competências para integrar um curso de formação profissional teriam que deixar a Cercimarante. O C.A.O. surgiu assim, para apoiar pessoas com deficiência mental Moderada, Severa ou Profunda. Aqui, as actividades desenvolvidas eram de carácter ocupacional, quer isto dizer que estas actividades visavam apenas manter a pessoa com deficiência activa e interessada, favorecendo o seu equilíbrio físico, emocional e social. Contudo, como este CAO, só por si, não era capaz de dar resposta ao número elevado de pessoas com Deficiência Mental que se encontravam em lista de espera surgiu a necessidade de se criar mais um CAO, no ano de 2000. A criação deste segundo CAO foi possível, à semelhança do anterior devido ao protocolo estabelecido com o Centro Distrital de Segurança Social do Porto. Aquando da celebração deste segundo Acordo de Cooperação realizou-se uma distribuição dos clientes tendo em atenção as capacidades e necessidades terapêuticas de cada um deles. Assim, passou a ter em funcionamento dois C.A.O(s) um com a vertente Terapêutica e, um outro com uma vertente mais Semi-Produtiva, onde os clientes podem concretizar e participar em tarefas mais complexas. Pretende-se com estas actividades aproveitar ao máximo as capacidades da pessoa, no sentido da sua autonomia, facilitando uma possível transição para programas de integração social, além de se contribuir para a valorização pessoal da pessoa com deficiência. Em Junho de 2009, a Cercimarante celebra mais um Acordo com o Centro Distrital de Segurança Social do Porto para CAO com lotação de 16 utentes. Passando desta forma a dar resposta a 76 utentes integrados em Centro de Actividades Ocupacionais.
O Centro de Actividades Ocupacionais da Cercimarante, tal como consta no Decreto-Lei nº18/89, tem como principal finalidade, “ a valorização pessoal e a integração social de pessoas com deficiência grave, permitindo o desenvolvimento possível das suas capacidades, sem vinculação a exigências de rendimento profissional ou de enquadramento normativo de natureza jurídico-laboral”. Dos seus principais objectivos fazem parte:
- Estimular e facilitar o desenvolvimento possível das capacidades remanescentes das pessoas com deficiência grave;
- Facilitar a sua integração social;
- Facilitar o encaminhamento da pessoa com deficiência, sempre que possível, para programas adequados de integração sócio-profisional;
De acordo com o mesmo Decreto-Lei, as actividades ocupacionais devem ser organizadas de forma, fundamentalmente, personalizada, tendo em atenção o tipo de tarefas e desempenhar e as necessidades individuais. No Centro de Actividades Ocupacionais da Cercimarante, cada área criada pretende dar resposta a uma necessidade. Deste modo, para que seja mais fácil perceber as áreas desenvolvidas em cada uma das vertentes e os seus objectivos específicos, passaremos a apresentar pormenorizadamente o CAO Terapêutico e o CAO Semi-Produtivo.
O C.A.O. Terapêutico engloba as áreas: Perceptivo-Motora, Linguagem e Comunicação Alternativa I, Ecobiótica, A.D.V.D I (Actividades de desenvolvimento e vida diária). Por seu lado, do C.A.O. Semi-Produtivo fazem parte as áreas: Linguagem e Comunicação Alternativa II, Técnicas Manuais, A.D.V.D II, Tecelagem, Jardinagem, Expressão Plástica. As áreas: Educação Física, Hidroterapia, Serviço Comunitário, Auto Representação, Expressão Dramática, Fisioterapia, Gabinete de Primeiros Socorros são áreas que podem ser utilizadas pelos clientes de ambos os C.A.Os.
Para cada área mencionada, existe um conjunto de objectivos específicos a serem alcançados pelos vários clientes, mediante os programas de mudança e de reabilitação a nível de comportamento e visando sempre um conjunto de factores pessoais de referência (idade, capacidades e habilidades).

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